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Gemini fica mais personalizado ao conectar Gmail e Google Fotos

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Escrito por Edu Diaz

janeiro 15, 2026

Se você já usa assistentes com IA há um tempo, provavelmente conhece aquela sensação de que eles “sabem muita coisa”, mas, na hora H, te fazem voltar a procurar o dado exato no e-mail, nas fotos ou no histórico. O Google quer justamente fechar essa lacuna com o Personal Intelligence, um novo recurso para personalizar o Gemini ao conectar apps do Google com um único toque. Ele chega em beta nos Estados Unidos e, segundo a própria empresa, o objetivo é tornar o Gemini mais pessoal, proativo e poderoso… mas sem transformar sua vida digital em uma gaveta escancarada.

A proposta é simples: ao ativar essa opção, o Gemini consegue raciocinar entre várias fontes (por exemplo, e-mail e fotos) e também resgatar detalhes específicos quando você pede — desde o conteúdo de um e-mail até uma informação que aparece em uma imagem. A diferença em relação ao assistente típico que só “sabe o que existe na internet”? Aqui, o contexto é você quem fornece ao vincular seus próprios apps, e isso muda o tipo de resposta que ele pode entregar.

O Google apresenta isso como um passo rumo a um assistente que não só entende o mundo, mas entende você. E, sendo bem honestos, quando funciona, é o tipo de ideia que a gente imagina há anos na cultura geek… embora com o inevitável capítulo do “ok, mas e a minha privacidade?”.

O que é o Personal Intelligence e o que muda no Gemini

Personal Intelligence é o nome da experiência do Gemini baseada em Connected Apps, ou seja, na conexão de determinados aplicativos do Google para que o assistente possa usar informações que já estão na sua conta e ajudar de um jeito mais específico. Segundo o anúncio oficial, a vinculação é simples e vem com um modelo de configuração pensado para ser seguro.

Nesta primeira fase, o sistema pode se conectar a Gmail, Google Fotos, YouTube e à Busca com um toque. O ponto não é só “ler” dados, mas combinar capacidades: de um lado, recuperar uma informação pontual (um detalhe de um e-mail ou de uma foto) e, de outro, raciocinar entre fontes para construir uma resposta mais útil, inclusive quando a pergunta não está perfeitamente formulada ou exige contexto.

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O Google descreve esses dois pontos como seus principais trunfos: raciocinar com fontes complexas e resgatar detalhes concretos. Na prática, isso permite que o assistente trabalhe com formatos diferentes (texto, fotos e vídeo) e que o resultado seja mais “sob medida”. É esse tipo de personalização que transforma um chatbot genérico em um assistente de verdade? A intenção é essa.

Além disso, a empresa insiste que é um recurso que você escolhe ativar e que dá para ajustar app por app. Ou seja, a personalização não vem “ligada de fábrica”, e isso define o tom de toda a proposta.

Exemplos reais: da oficina ao planejamento de viagens

Para colocar a ideia no chão, o anúncio traz um exemplo bem cotidiano: uma visita à oficina para trocar pneus. A pessoa que conta a história percebeu, já na fila, que não lembrava a medida das rodas do seu minivan. Ela perguntou ao Gemini e, embora qualquer assistente consiga achar especificações genéricas, aqui o relevante é que o Gemini foi além ao sugerir opções diferentes conforme o uso (dirigir no dia a dia versus condições para todas as estações) e ao trazer avaliações e preços.

O detalhe “pessoal” é que o sistema baseou parte dessas sugestões em informações encontradas no Google Fotos — especificamente, referências a viagens de carro em família. E quando, no balcão, precisou da placa, em vez de voltar ao carro ou perder tempo procurando, o Gemini recuperou o número a partir de uma foto salva no Fotos. Ele também ajudou a identificar a versão exata do veículo pesquisando no Gmail. Esse encadeamento (foto para a placa, e-mail para a versão) ilustra bem o que o Google quer mostrar: não é só responder, é localizar o dado certo onde você já tem isso guardado.

Na mesma linha, o Google cita o uso do Gemini para recomendações de livros, séries, roupas e viagens e destaca um caso de planejamento de férias de primavera em que o assistente, ao analisar interesses e viagens anteriores no Gmail e no Fotos, evitou aquelas sugestões genéricas de sempre e propôs alternativas mais específicas, como um trajeto noturno de trem e jogos de tabuleiro para o caminho. O recado aqui é claro: quando a IA tem contexto, ela pode parar de soar como um catálogo de clichês. E sim, também é o tipo de coisa que faz muita gente querer testar “só para ver” até onde vai.

Privacidade, controle e disponibilidade: o que você precisa saber

O Google coloca a privacidade como pilar do design. O Personal Intelligence fica desativado por padrão: é você quem ativa, quem decide quais apps conectar e quem pode desconectar a qualquer momento. Quando está habilitado, o Gemini acessa os dados para responder a pedidos específicos e para fazer tarefas por você. O Google também ressalta um ponto importante: como esses dados já estão no Google, você não precisa “enviar” para outro lugar para começar a personalizar a experiência.

Outro aspecto interessante para o uso no dia a dia é a rastreabilidade: o Gemini vai tentar referenciar ou explicar de onde vem uma resposta baseada em fontes conectadas para que você consiga verificar. E, se uma resposta não te convencer, dá para pedir mais detalhes. Você também pode corrigir o assistente na hora, por exemplo ajustando preferências, e existe a opção de regenerar respostas sem personalização para uma conversa específica ou usar chats temporários para conversar sem personalização. Em outras palavras, entra em cena um “modo com contexto” e um “modo sem contexto” — algo que muita gente mais avançada vai agradecer.

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O Google também adiciona “guarda-corpos” para temas sensíveis: o Gemini tenta não fazer suposições proativas sobre dados delicados como saúde, embora possa lidar com isso se você pedir. E, sobre o treinamento do modelo, a empresa afirma que não treina diretamente com sua caixa do Gmail nem com sua biblioteca do Google Fotos; essas fontes são usadas para referenciar e construir a resposta, enquanto o treinamento acontece com informações limitadas, como os prompts e as respostas, depois de aplicar medidas para filtrar ou ofuscar dados pessoais. O exemplo é bem claro: a ideia não é o sistema “aprender” sua placa, e sim saber localizá-la quando você solicitar.

Como é uma beta, o Google também alerta para possíveis falhas: respostas imprecisas ou over-personalization, quando o modelo liga pontos que não deveriam estar conectados. Eles pedem feedback pelo “polegar para baixo” e reconhecem que pode errar em nuances ou prazos, especialmente quando há mudanças de relacionamentos ou interesses. Em outras palavras: a IA pode ver muitas fotos em um campo de golfe e concluir que você ama golfe, quando talvez você só esteja lá por causa de alguém próximo; se isso acontecer, a proposta é corrigir explicitamente.

Quanto à disponibilidade, o acesso começa a ser liberado na próxima semana para assinantes elegíveis do Google AI Pro e AI Ultra nos Estados Unidos. Depois de ativado, funciona na web, Android e iOS e com todos os modelos do seletor do Gemini. O Google diz que vai começar com esse grupo limitado para aprender e que, com o tempo, vai expandir para mais países e também para o nível gratuito, além de chegar “em breve” ao AI Mode na Search. Por enquanto, está disponível para contas pessoais, não para usuários do Workspace em ambientes empresariais, educacionais ou enterprise.

Se não aparecer um convite na tela inicial do Gemini, a ativação pode ser feita nas configurações: abrir o Gemini, entrar em Settings, tocar em Personal Intelligence e selecionar Connected Apps como Gmail ou Fotos. Porque, sim, às vezes o futuro chega com um interruptor escondido em Ajustes — como manda a tradição.

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Edu Diaz

Cofundador da Actualapp e apaixonado por inovação tecnológica. Formado em História e programador de profissão, combino o rigor acadêmico com o entusiasmo pelas últimas tendências tecnológicas. Há mais de dez anos, sou blogueiro de tecnologia e meu objetivo é oferecer conteúdo relevante e atualizado sobre o tema, com uma abordagem clara e acessível a todos os leitores. Além da minha paixão por tecnologia, gosto de assistir séries de televisão e adoro compartilhar minhas opiniões e recomendações. E, claro, tenho opiniões fortes sobre pizza: nada de abacaxi, com certeza. Junte-se a mim nesta jornada para explorar o fascinante mundo da tecnologia e suas inúmeras aplicações em nosso dia a dia.