Se você quer entender o que a HP está propondo com o novo EliteBoard G1a Next Gen AI PC e por que ele está chamando atenção na CES 2026, a ideia se resume a algo simples e pouco comum hoje: um PC de mesa completo integrado dentro de um teclado. A proposta não é nostalgia estilo Commodore 64 (ainda que isso mexa com o lado geek de muita gente), e sim resolver um problema bem atual em empresas e times híbridos: montar estações de trabalho flexíveis, fáceis de mover e com potência suficiente para o dia a dia, sem precisar arrastar gabinetes, docks e cabos como se estivéssemos em 2010.
A HP apresenta isso como uma reinvenção do desktop, apoiada em um dado do próprio Work Relationship Index: apenas 44% dos trabalhadores acredita que a tecnologia acompanha seu jeito de trabalhar. Em um cenário em que o trabalho alterna entre salas, mesas compartilhadas e ambientes com vários times, o EliteBoard G1a quer ser esse “módulo” que você leva com você, conecta à tela disponível e segue em frente, com um formato ultracompacto e pensado para TI.
Além disso, a HP acompanha o lançamento com um monitor feito para virar o centro visual da estação: o HP Series 7 Pro 4K Monitor, que aposta em tecnologias de painel e conectividade para fluxos profissionais. Na teoria, a combinação faz sentido: um PC que vai com você e uma tela que fica no lugar.

Um Copilot+ PC disfarçado em um teclado ultracompacto
O grande atrativo do EliteBoard G1a é o formato: ele parece um teclado de mesa “normal”, mas por dentro traz o hardware de um Copilot+ PC. A HP o descreve como seu AI PC para desktop mais pequeno e leve, com perfil de 12 mm e peso de 750 g, bem abaixo do que costumamos associar a um notebook tradicional. O objetivo é recuperar uma mesa limpa e modular: você fornece o monitor e o mouse, e o computador se adapta ao espaço — em vez de obrigar você a “montar” um posto fixo.
Na plataforma, a HP equipa o modelo com AMD Ryzen AI 300 Series, com configurações de Ryzen 5 ou Ryzen 7 junto de gráficos integrados Radeon 800. Em memória e armazenamento, a proposta é claramente voltada para escritório, mas com folga: até 64 GB de RAM e até 2 TB de SSD NVMe. Não é o tipo de ficha técnica para render pesado sem parar, mas dá conta de dezenas de abas abertas, aplicativos corporativos rodando ao mesmo tempo e uma boa experiência no terreno da “produtividade”.

É na NPU que entra o discurso de “AI PC”: a HP fala em mais de 50 TOPS para acelerar cargas de trabalho de IA local, um número alinhado à categoria que vem sendo impulsionada no Windows. A ideia é que tarefas assistidas por IA pareçam ágeis e não dependam sempre da nuvem — algo especialmente atraente em ambientes corporativos, onde latência, privacidade e conformidade fazem diferença. E sim, também há um aceno implícito para quem ouve há anos promessas do “PC do futuro”: desta vez, ele vem escondido no periférico mais comum da mesa.
A HP também integra microfones duplos e alto-falantes no próprio teclado e cita recursos como HP Smart Sense e o gerenciamento automático de estados da AMD (Auto State Management) para ajustar desempenho, refrigeração e, se você optar, otimização com uma bateria integrada opcional. Essa bateria, aliás, combina com a filosofia de mobilidade: poder mudar de sala ou de mesa sem depender o tempo todo de tomadas.
Experiência real: promessa modular… e o desafio dos cabos
Além do conceito, o mais interessante é como isso vira uso no dia a dia. Um primeiro contato com um protótipo do EliteBoard deixa uma coisa clara: o formato convence quando liga e funciona, porque impressiona ver um Windows completo “saindo de um teclado”, mas sofre se o ecossistema de conexões não estiver bem resolvido na prática.
Nesse teste, um detalhe importante foi apontado: o equipamento tinha duas portas USB-C na parte traseira, e isso complicou o início por exigir que se administrasse ao mesmo tempo alimentação e saída de vídeo. A solução foi usar hubs USB-C, incluindo um para carga e outro com HDMI para conectar o monitor. O resultado, em vez de uma mesa limpa, virou um pequeno festival de cabos — exatamente o oposto do que muita gente esperaria de um “teclado-PC”. É um problema do produto final ou de uma unidade inicial? Não dá para dizer com certeza, mas é o tipo de atrito que pode influenciar a adoção em escala.

Depois de superar o início, a impressão melhora: o dispositivo parece de fato utilizável e, em desempenho, se comporta como um notebook de entrada, suficiente para seu papel principal — que não é glamouroso, mas é realista: ser um computador de escritório. Nessa sessão, foi possível abrir várias janelas do navegador com abas, editar algumas fotos e rodar jogos leves como Vampire Survivors. Também é mencionado um ponto essencial para um produto assim: digitar nele é agradável, o que parece óbvio, mas nem sempre se confirma em formatos “tudo em um”.
Olhando com a visão de administração de sistemas, o apelo é fácil de entender: distribuir “teclados com PC” em vez de gabinetes pesados soa como um sonho logístico para suporte, inventário e manutenção. E, se alguém acha que isso é só uma esquisitice passageira, vale lembrar que a indústria já experimentou ideias parecidas (da febre dos UMPCs a periféricos com ambições de computador), só que o mercado acabou seguindo pelo caminho de colocar o hardware atrás de uma tela. O pêndulo está voltando, ou é um experimento bem executado para um nicho? A própria HP trata como um teste de resposta do público, embora o foco inicial seja claramente corporativo.
Monitor HP Series 7 Pro 4K: o parceiro natural do EliteBoard
A HP não se limita a apresentar o teclado-PC: ela também mostra um monitor que combina com a ideia de um desktop moderno como “hub” para vários dispositivos. O HP Series 7 Pro 4K Monitor é voltado a usuários profissionais que precisam de fidelidade visual e conexões organizadas — e aqui a HP aposta alto em dois pontos: painel e conectividade.
Na imagem, o destaque vai para o desempenho IPS Black e para a tecnologia Neo:LED em 4K, além da calibração de cor de fábrica e da possibilidade de usar perfis de cor personalizados. Em outras palavras: a intenção é ser uma tela consistente para criação e colaboração, com um nível de controle mais próximo do que fluxos profissionais exigem do que de um monitor genérico de escritório.
Nas conexões, a estrela é o Thunderbolt 4 com até 140 W de entrega de energia e 40 Gbps, mirando o cenário de um único cabo para vídeo, dados e carga. Se o EliteBoard aposta em mobilidade e em se conectar a qualquer tela, um monitor com essa filosofia pode ser o complemento lógico em mesas fixas, salas de edição ou postos onde a ideia é reduzir ao mínimo a bagunça de adaptadores.
Sobre disponibilidade, a HP coloca tanto o EliteBoard G1a quanto o Series 7 Pro 4K para março via HP.com e deixa o preço para depois. Até lá, fica o conceito: um desktop que se “recompõe” conforme o dia, com um PC que cabe onde o teclado sempre esteve — que, pensando bem, é um lugar bem estratégico para esconder um computador.

