macbook neo

Review do MacBook Neo: o Mac de 699€ que expõe muitos notebooks com Windows

User avatar placeholder
Escrito por Edu Diaz

março 13, 2026

Se o que você quer saber é se existe um Mac “barato” que não pareça limitado em tudo, o MacBook Neo responde com uma combinação curiosa: concessões claras em memória e armazenamento, mas uma experiência de uso que, depois de alguns dias testando, fica muito mais próxima de um MacBook Air moderno do que daqueles notebooks econômicos que parecem feitos só para quebrar um galho. O preço base na Europa começa em 699€, e esse número por si só já muda a conversa — especialmente para quem vem do Windows e está acostumado a ver a linha de entrada significar telas fracas, trackpads com vontade própria e teclados que apenas “dão conta”.

A Apple pensou nele como um Mac para tarefas do dia a dia, para estudantes e para quem quer um segundo computador sem gastar o que custa um Air bem configurado. A chave é manter o essencial da experiência Mac — tela, trackpad, teclado, câmera e a sensação de produto bem-acabado — mesmo que por dentro a proposta seja bem mais pragmática. E sim, o nome “Neo” soa um pouco como etiqueta de notebook de catálogo, mas aqui funciona como sinal de que estamos diante de um Mac diferente: o primeiro que a Apple coloca tão baixo em preço e, além disso, com um chip da família A.

Design, tela e o que passa sensação “premium”

A primeira coisa que chama atenção ao tirar da mochila é que ele não transmite nem de longe aquela vibe de “notebook de guerra” típica da faixa dos 600 euros. O chassi é de alumínio e visualmente lembra o design atual do MacBook Air, com um tamanho um pouco mais compacto, mas peso equivalente de 2,7 libras. Na mão, ele parece sólido — e essa solidez não é detalhe, considerando o público a que ele mira: casas e salas de aula onde um computador pode acabar passando por mais mãos do que qualquer manual de boas práticas recomendaria.

A Apple também apostou em cores como chamariz, com opções mais ousadas como um tom esverdeado tipo citrus e um rosa blush, além dos clássicos claros e escuros. É o tipo de detalhe que não aumenta FPS nem acelera uma exportação, mas faz o computador parecer menos “corporativo” e mais pessoal — exatamente o que muita gente procura quando o notebook faz parte da rotina.

Na tela, o Neo joga uma carta forte para o preço. Ele traz um painel LCD de 13 polegadas com resolução um pouco inferior à do Air, mas, por ser menor, mantém uma densidade de pixels que parece muito parecida na prática. Em ambientes internos, a imagem é viva e com bom contraste; o que mais me surpreendeu foi o brilho: ele é forte o suficiente para trabalhar sob sol forte, um cenário em que muitos notebooks baratos simplesmente desistem e te obrigam a aumentar o brilho até a bateria chorar. Aqui, não precisa desse ritual.

O áudio também fica acima do padrão da categoria. Os alto-falantes laterais entregam um som mais cheio do que o típico “som de latinha” de muitos notebooks em promoção; são bons para vídeos e streaming, embora não cheguem ao nível de clareza e impacto nos graves dos MacBook Air ou MacBook Pro com alto-falantes voltados para cima.

macbook neo

Desempenho no mundo real: o chip A18 Pro e seus limites

A grande “estranheza” do MacBook Neo está sob o capô: ele usa um A18 Pro, o chip que equipava o iPhone 16 Pro do ano anterior, em vez de um chip da linha M. Essa decisão explica como a Apple consegue apertar o preço, mas também delimita bem o que o produto é. O Neo é vendido com 8 GB de RAM e 256 GB de SSD na configuração base; existe uma opção que adiciona 512 GB de armazenamento por 100€ a mais e inclui Touch ID, mas não há como aumentar a RAM. Se você é do tipo que vive com dezenas de abas, apps pesados e arquivos grandes, isso não é um detalhe qualquer — porque, nos Macs, a memória unificada é integrada ao chip e acaba definindo a vida útil “confortável” do computador.

Ainda assim, no uso diário ele me surpreendeu positivamente. Eu forcei com dezenas de abas espalhadas por vários navegadores, um vídeo rodando no app TV, edição de fotos no Pixelmator Pro e um jogo do Apple Arcade como Oceanhorn 3 — e o sistema seguiu fluido, sem aquelas engasgadas que entregam falta de recursos. Dá para ver que o macOS gerencia bem a memória: nos meus testes, o uso de RAM ficava muitas vezes entre 80% e 85% quando eu tentava estressar, mas raramente passava disso; e o próprio sistema consumia perto de 50% mesmo sem apps abertos. É um número que ajuda a entender por que este Mac foi pensado para tarefas específicas, e não para “tudo ao mesmo tempo”.

Em benchmarks, o Neo fica abaixo dos MacBook Air mais recentes em cargas multithread, mas em desempenho por núcleo ele chega a uma zona surpreendentemente competitiva, até mesmo frente a hardware moderno de Intel e AMD. É o tipo de resultado que explica por que, para escritório, navegação, consumo de mídia e um pouco de edição leve, a sensação pode ser a de um notebook mais caro — ainda que, em tarefas pesadas que exigem processadores maiores e refrigeração ativa, as diferenças sejam inevitáveis.

Onde eu realmente encontrei um limite foi em jogos mais pesados pensados para chips M. Tentei instalar Lies of P e, embora a instalação tenha terminado, o jogo travou ao carregar shaders. Em bom português: o Neo é para títulos feitos para Apple Arcade e chips móveis, ou para usar streaming na nuvem — seja com serviços tipo GeForce Now ou Xbox. Quem quiser transformar isso numa máquina de games nativa vai acabar olhando para o Air ou para o Pro… ou para um desktop cheio de LEDs, que também tem seu charme para quem vive no modo “build”.

A bateria, em um teste de reprodução contínua de vídeo 4K em loop, deu 12 horas e 15 minutos. Está longe dos melhores números de um MacBook Air com hardware mais novo, mas ainda é suficiente para encarar um dia típico de aula ou trabalho sem ficar grudado no carregador.

macbook neo

Teclado, trackpad, câmera e portas: as decisões difíceis

Nos periféricos integrados, o Neo se comporta como um Mac “de verdade” — e é aí que ele mais se distancia de muitos notebooks de entrada. O teclado, apesar de numa primeira impressão parecer um pouco mais frágil, no uso real se mostrou preciso e consistente; consegui digitar no meu ritmo normal sem erros de acionamento nem comportamentos estranhos. E o trackpad, mesmo sendo mecânico (a Apple não usa aqui o Force Touch háptico), é surpreendentemente bem ajustado: responde com precisão a gestos e rolagem, o clique não parece “borrachudo” e, detalhe importante, é clicável em toda a superfície — algo que muitos concorrentes com trackpads mecânicos não acertam.

A webcam é outro ponto em que a Apple decidiu não economizar. O Neo traz uma câmera 1080p com processamento de imagem nítido e vivo; em chamadas de vídeo, essa qualidade costuma “entregar” o nível do notebook, e aqui dá a impressão de estar usando um modelo superior.

As concessões mais visíveis aparecem na conectividade e na configuração. Há apenas duas portas USB‑C, uma com USB 3.0 e outra com USB 2.0, e não existe MagSafe — algo que faz falta justamente pelo contexto de uso que a Apple mira: mesas escolares, cabos esticados e tropeços inesperados. Também é um computador com teto bem claro em armazenamento (até 512 GB) e com a RAM fixa em 8 GB, uma combinação que define de forma bastante rígida para quem ele faz sentido.

Ainda assim, o resultado final é estranhamente convincente: por 699€, ele entrega uma experiência de tela, teclado, trackpad e construção que, nessa faixa, costuma ser território de compromissos o tempo todo. É o Mac para entusiastas que compilam, renderizam e vivem com máquinas virtuais? Não. Mas como porta de entrada para o macOS ou como notebook confiável para o dia a dia, o MacBook Neo tem um ponto quase perigoso: faz muita gente se perguntar há quanto tempo vinha normalizando notebooks medíocres só porque era “o que dava” naquele preço.

Image placeholder
Edu Diaz

Cofundador da Actualapp e apaixonado por inovação tecnológica. Formado em História e programador de profissão, combino o rigor acadêmico com o entusiasmo pelas últimas tendências tecnológicas. Há mais de dez anos, sou blogueiro de tecnologia e meu objetivo é oferecer conteúdo relevante e atualizado sobre o tema, com uma abordagem clara e acessível a todos os leitores. Além da minha paixão por tecnologia, gosto de assistir séries de televisão e adoro compartilhar minhas opiniões e recomendações. E, claro, tenho opiniões fortes sobre pizza: nada de abacaxi, com certeza. Junte-se a mim nesta jornada para explorar o fascinante mundo da tecnologia e suas inúmeras aplicações em nosso dia a dia.